As virtudes e as fraquezas dos jornais não são recatadas. Registram-nas
fielmente os sensíveis radares dos leitores. Precisamos, por isso, derrubar
inúmeros desvios que conspiram contra a qualidade dos jornais.
Um deles, talvez o mais resistente, é o dogma da objetividade absoluta.
Transmite, num pomposo tom de verdade, a falsa certeza da neutralidade
jornalística. Só que essa separação radical entre fatos e interpretações
simplesmente não existe. É uma bobagem.
Jornalismo não é ciência exata e jornalistas não são autômatos. Além disso,
não se faz bom jornalismo sem emoção. A frieza não é humana e, portanto, é
antijornalística. A neutralidade é uma mentira, mas a isenção é uma meta a ser
perseguida. Todos os dias. A imprensa honesta e desengajada tem um compromisso
com a verdade. E é isso que conta.
Mas a busca da isenção enfrenta a sabotagem da manipulação deliberada, a
falta de rigor e o excesso de declarações entre aspas...[....]
É isso aí. Num momento de crise no modelo de negócio, evidente e desafiante,
o que não podemos é perder o norte. E o foco é claro: produzir conteúdo de alta
qualidade técnica e ética. Só isso atrairá consumidores, no papel, no tablet, no
celular, em qualquer plataforma. E só isso garantirá a permanência da
democracia. Por isso governos autoritários, apoiados em currais eleitorais
comprados ao preço da cruel perenização da ignorância e, consequentemente, da
falta de senso crítico, investem contra a imprensa de qualidade e contra os
formadores de opinião que não admitem barganha com a verdade.
O jornalismo tropeça em armadilhas. Nossa profissão enfrenta desafios,
dificuldades e riscos sem fim. E é aí que mora o desafio.
Veja matéria:
http://observatoriodaimprensa.com.br/news/view/_ed718_jornalismo_ancora_da_democracia
Fonte: Observatório da Imprensa - 30/10/2012-13h
quarta-feira, 31 de outubro de 2012
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