quarta-feira, 19 de setembro de 2012
Clarice Lispector ganha dia de homenagens em várias capitais
Popular nas redes sociais, escritora será tema dos encontros batizados de A Hora de Clarice
SÃO PAULO
"Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento", escreveu Clarice Lispector. Estivesse viva, a escritora poderia encontrar dificuldade para entender sua popularidade nas redes sociais.
No Facebook, por exemplo, onde proliferam páginas não-oficiais de personalidades já mortas criadas por fãs, uma pesquisa rápida e informal mostra que mais de 76 mil pessoas "gostam" (ou deram sua aprovação clicando em "like") em uma dessas páginas sobre Clarice. Ainda que os romances e contos de Clarice mostrem uma narrativa não poucas vezes hermética, que segue muito mais o fluxo dos pensamentos do que acontecimentos, aqui e ali, principalmente em crônicas, a autora tinha "pequenas epifanias" sobre o amor, o cotidiano e a existência. Hoje, fragmentos desses pensamentos se encaixam à perfeição nos aforismos de poucos caracteres das redes sociais.
Clarice nasceu em 10 de dezembro de 1920 e morreu em 9 de dezembro de 1977. No próximo dia 10, o Instituto Moreira Salles, em parceria com a editora Rocco, irá realizar a primeira edição do evento A Hora de Clarice. José Castello é também organizador de "Clarice na Cabeceira - Romances", livro que sintetiza os romances da escritora e o momento em que ela os produziu. Desde a década passada, uma série de livros retoma o legado da escritora, desde cartas, fotos e entrevistas até seleção de crônicas "para jovens", "só para mulheres". "Clarice odiava os clichês", diz Castello.
Valor: O que explica e o que justifica a enorme popularidade de Clarice Lispector até hoje, principalmente entre os jovens?
José Castello: Creio que Clarice se torna cada vez mais popular em todas as faixas etárias. Talvez os homens ainda sejam um pouco mais arredios - mas os homens lêem, em geral, menos ficção, dizem as pesquisas. Clarice não é uma escritora fácil. Esteve muito à frente de seu tempo. Sua ficção exige uma digestão lenta, no início sempre causa muito estranhamento. Creio que não escreveu só para o presente - o seu século 20 - mas sobretudo para o futuro. A obra de Clarice é uma profunda reflexão sobre o próprio ato de escrever.
Confira entrevista de Castello no link
http://oglobo.globo.com/cultura/clarice-lispector-ganha-dia-de-homenagens-em-varias-capitais-3338029
Fonte: O globo - 19/9/2012
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