Profª: Solange P. Pinto - Matéria: Jornalismo Especializado III - Ciência e Meio Ambiente
Julciara Neves – jornalismo 6º semestre – 20/10/2011
Como evitar riscos para as crianças e adolescentes
Com a inovação tecnológica nas últimas décadas, a Internet virou uma explosão com os sites de redes sociais. Matéria divulgada, no mês passado, no jornal Folha de São Paulo mostra estudo que a empresa de segurança Norton fez em 2010, no qual diz que “62% das crianças e jovens que acessaram a internet no mundo já tiveram pelo menos uma experiência negativa on-line.”
Os índices da pesquisa apresentam a realidade vivida por jovens e adolescentes na internet. Durante o acesso dos “2.800 jovens de 8 a 17 anos pesquisados, em 14 países, 41% receberam convites de amizade por parte de desconhecidos em redes sociais, 33% baixaram convites sem conhecer o destinatário, 25% já viram imagens de nudez ou violência e 10% foram convidados para encontros pessoalmente.”
As duas redes sociais mais conhecidas são o Orkut uma rede filiada ao Google, criada em 2004, pelo engenheiro turco, Orkut Buyukkokten e o Facebook, também lançado no mesmo ano, por Mark Zuckerberg. O objetivo de ambos projetos foi formar usuários e comunidades virtuais, disponibilizando ao navegador um meio para se apresentar ao mundo.
De um lado, as redes exploram o lado mais social do meio de comunicação que é a Internet, por outro, aumentam, cada vez mais, os riscos à privacidade e à segurança do internauta que fizer uso dessas redes.
A internet trouxe inúmeras facilidades para a sociedade, quanto ao relacionamento pessoal e de pesquisa como fonte de informação. Mas também trouxe um pacote de preocupações para esses pais desinformados, dos riscos que seus filhos correm quando estão navegando na internet. O monitoramento e a interação junto com pais e responsáveis são essenciais para minimizar problemas futuros. De acordo com especialistas que investigam crimes cibernéticos ressaltam que o mais importante é o diálogo entre pais e filhos dentro de casa.
google
Os pais na educação e orientação com seus filhos nas redes
“Na idade de quatro anos, a criança deve usar o computador junto com os pais, assim ao mesmo tempo em que ela aprende se diverte e fortalece os laços familiares”. A partir da idade, “os pais já podem deixar os filhos cita o site SaferNet. (4/10/2011).
Quando a criança completa sete anos, já começa a buscar certa independência, inclusive, ao ver seus coleguinhas conversando no colégio sobre os assuntos que dominam as redes. Sabendo disso, os pais devem incentivar esse convívio, sem perdê-los de vista. O perigo começa exatamente no momento em que usuários menores, começam acessar as redes. Os pais precisam estar atentos. A instalação de bloqueadores em alguns sites é muito importante, porque muitas vezes, inocentemente, eles acessam páginas impróprias na internet por pura curiosidade.
Às vezes, os pais esquecem-se que mesmo dentro de casa, seus filhos estão correndo risco de serem aliciados por “criminoso-psicopata” que ronda a Internet. Por isso, as restrições devem ser impostas. Os pais não precisam ser tão radicais na checagem dos sites, basta que as recomendações sejam variadas, conforme a fonte consultada e devem ser adotadas de acordo com as características de cada família.
Segundo matéria da Safernet, www.safernet.org.br o público infantil passa “17 horas e 34 minutos na internet por mês”. O tempo médio de acesso à web em residências foi de “39 horas e 25 minutos por pessoa”. É um número considerável, se pensarmos que as crianças geralmente têm o tempo de uso na rede restrito pelos pais.
Ana Maria de Sousa, 31, analista de sistema, moradora no Sudoeste, diz que seu casal de gêmeos, na faixa etária de quatro anos, já mexe no computador. “Eles brincam e desenham sozinhos. Mas, eu e meu marido sempre estamos juntos deles, ensinando, mostrando e orientando”, afirma.
Ao contrário do que disse Ana, José Calazans, analista de Internet do Ibope Nielsen Online, em pesquisa divulgada recentemente no site www.ibopeonline.com.br afirma que “5,2 milhões de crianças entre 4 e 11 anos já navegam na internet sozinhas em suas casas, em setembro de 2011, contra 4,3 milhões no mesmo mês do ano passado. Em relação ao total de internautas com acesso residencial – cerca de 37,9 milhões de pessoas, a participação das crianças passou de 13,4% para 13,7%.”
Os especialistas alertam quanto aos perigos que rondam a rede
Lauro Monteiro Filho, médico Pediatra, responsável pelo site Observatório da Infância, cita que casos de abuso na Internet têm aumentado muito nos últimos anos. “A Internet é uma rede extraordinária de comunicação que deveria servir para levar conhecimento e distração às crianças e adolescentes, porém têm servido como instrumento para pedófilos no Brasil e no mundo”.
A facilidade do envio de mensagens faz com que atraiam facilmente suas presas na Internet. O número de sites que as “pragas digitais” (são mensagens de arquivo recebido de endereços desconhecidos, possuindo códigos para causar danos ao seu computador), monitoram também aumentou e com ele o número de possíveis vítimas. Os criminosos enviam uma mensagem para a página pessoal, e se for acessada, eles começam assediar a pessoa.
Caroline Fontes, 32, secretária e moradora da Asa Sul, foi uma dessas vítimas. Ela diz que sua filha Larissa, oito anos, recebeu uma mensagem em seu Orkut, pedindo para que ela adicionasse uma pessoa desconhecida, que inocente adicionou e começou a trocar mensagens com uma mulher.
Segundo Carolina, do outro lado do computador, estava uma mulher se passando por uma criança da mesma idade de sua filha. Inclusive ela criou um nome fictício, se dizendo chamar Rosa. Em uma de suas mensagens, as duas já haviam marcado para se encontrar na escola da filha. Carolina, revela que sempre procurou ler os conteúdos de sua filha na rede social, mas sem que ela soubesse.
Em uma dessas buscas, viu uma mensagem que dizia “eu amo você demais”. Nesse momento, entrou em desespero, porque sua filha ainda era muito jovem. Desconfiada começou a se corresponder com por duas noites. Depois disso, marcou para se encontrar em frente ao colégio da filha com a tal Rosa. Eu fiz uma denúncia na Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA). Juntas, eu e a delegada Adriana, fizemos a prisão da Rosa, através de uma foto que ela própria tinha enviado para a filha. Lavrado o boletim, a delegada descobriu que a tal Rosa tinha duas passagens em Goiânia pelo mesmo crime, assédio a crianças no Orkut.
A psicóloga Heloiza Valente, do Instituto da Criança e do Adolescente, faz terapia em pais e crianças que passaram por constrangimentos. Ela explica que a pedofilia é uma psicopatologia extremamente comum em todo o mundo, que em toda a família pode ter um dentro de sua própria casa. Eles se caracterizam inicialmente por uma profunda atração sexual por crianças e adolescentes. Ela deixa claro que é “um desvio de caráter compulsivo e obsessivo”. Heloiza ainda complementa, que “as constantes denúncias de abuso sexual e a exploração sexual que eles buscam nas redes sociais, é porque a comunicação virtual, do outro lado do computador, fica mais fácil para esses doentes buscarem as suas presas, por serem menores e inocentes”, afirma à psicóloga.
Ainda de acordo com a Ong SaferNet no Brasil, que ajuda ao combate a crimes nas redes sociais, diz que aumentou para 73,3% os crimes de assédio contra crianças. Recentemente foi lançado um vídeo na internet que retrata bem o aliciamento por pedófilos e outros criminosos, de adolescentes da classe média para essa prática dos pedófilos. A Safernet, deixa claro que “as fantasias adolescentes buscam acessando páginas, e vídeos, são por estarem em busca de satisfazer suas fantasias românticas, alimentadas por jovens com baixa auto-estima, carentes de carinho e afeto dos pais”.
Em suas divulgações de avisos e orientações, diz que “os pais têm muita culpa, e só quando acontece algum ataque aos seus filhos é que vão perceber o perigo que a Internet também traz para seus filhos. A ONG, ainda complementa que “fizemos uma pesquisa, recentemente em maio de 2011, nas escolas das cidades satélites do Distrito Federal, onde chegamos a conclusão de que, “ 73% das crianças e adolescentes entrevistados tinha apenas 12 e 17 anos”. A pesquisa mostrou que “70% dos pais acreditam que já haviam proibido seus filhos de acessar sites, salas de bate papo e redes sociais, sem a presença deles em casa”. Mas esses pais, esquecem-se que seus filhos podem navegar nas Lan houses ou da casa de seus amigos.”
Fato ocorrido com Marcos de 15 anos, filho de Raquel (nome fictício), 43, moradora da Samambaia, que também passou pelo mesmo problema. Seu filho Marcos, estava se relacionando com uma coleguinha há meses no orkut. Ele jurava que estava se relacionando com uma menina. Só que desta vez, quem descobriu foi ele mesmo, quando foi se encontrar escondido de seus pais, com a tal colega virtual.
Marcos se correspondia com a suposta namoradinha em uma lan house, quando os pais estavam fora de casa. Ele marcou encontro com a namorada virtual, em um ponto movimentado de Taguatinga, mas quando ele chegou ao local, não viu nenhuma moça com as características que ela havia falado para ele na mensagem. Para surpresa de Marcos, quem se aproximou dele foi um homem, com aparência de mais ou menos uns 42 anos. Esse homem chegou e se apresentou para ele, dizendo que era a pessoa que se correspondia com ele virtualmente.
O garoto chegando em casa, contou a história para seus pais, que daquele dia em diante os pais tomaram uma posição radical dentro de casa, transferiram o computador de Marcos do quarto para a sala. “Eu quase morri de desespero quando meu filho chegou e me relatou os fatos, registramos o boletim de ocorrência, e ficou por isso”, contou a mãe de Marcos.
De acordo com o delegado José Luiz Gonzalez Rodrigues, diretor adjunto da Divisão de Repressão aos Crimes de Alta Tecnologia (DICAT), “os pais precisam conhecer mais a internet, fazer cursos para aprender a manusear a internet, que é um mundo infinito de comunicação que a Internet proporciona a todos. Aprender como funcionam as redes sociais, para perceberem os perigos que seus filhos correm dentro de suas próprias casas, é uma obrigação dos pais. Gonzalez deixa claro que “infelizmente é uma questão cultural, de conhecimento mesmo. “Tem crianças, que ensinam os próprios pais a usarem a Internet, e que isso é muito sério”, afirmou o delegado.
Para Gonzalez os casos que a Dicat tem investigado de crimes como assédio, bullying, pedofilia, contra crianças e adolescentes, chegam a uma proporção alarmante no Distrito Federal.
O delegado lembra que “sempre que fazemos palestras nas escolas, “buscamos divulgar informações e orientar pais e professores para que orientem as crianças e os adolescentes como se portarem nas redes sociais”. Procurar denunciar sempre, para que “possamos tirar de circulação esses meliantes”.
A Dicat tem uma cartilha de orientação para a sociedade que é distribuída em palestras e está à disposição da sociedade no site http://cartilha.cert.br. O objetivo da cartilha é orientar os pais, para que as crianças e adolescentes quando estiverem conectados na internet, que os pais monitorem eles dentro de casa.
Gonzalez alerta dizendo que “os pais estão infringindo a lei ao alterar a idade de seus filhos, para criar um perfil nas redes sociais. Esses pais precisam saber o que diz a Lei 2848/40 do Código Penal”. A Lei diz “que a omissão ou alteração de dados pessoais em cadastros pode configurar-se como o crime de falsidade ideológica”, previsto no artigo 299, do Código Penal.
Infelizmente, os pais são irresponsáveis em muitos casos que já apuramos. Ele ainda lembra que quando acontece alguma invasão de privacidade nos perfis dessas crianças, que muitos não denunciam, porque sabem que eles serão responsabilizados, por terem falsificado os dados de seus filhos para criar o perfil deles na rede. “É estarrecedor a quantidade de material criminoso que se encontra disponível nos diversos perfis e comunidades existentes nas redes sociais”, alerta Gonzalez.
Os pais e responsáveis precisam ensinar e orientar dentro de casa as crianças e adolescentes, para que não passem informações pessoais dos próprios pais, e muito menos delas. Muitas vezes os e-mail’s enviados dessas pessoas maldosas não podem ser abertos, se a criança clicar um desses e-mail’s falsos, o problema já está instalado dentro de sua casa. Ensinar que não podemos acreditar em tudo, nem em todos, também é um caminho. Como em todos os lugares, há pessoas mal intencionadas e mentirosas.
terça-feira, 13 de dezembro de 2011
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