
Os moradores das quadras 106 e 107 Sul, vizinhos do Cine Brasília tem opiniões diferentes sobre a movimentação intensa que o Festival atrai nos dias de estréia dos filmes
Julciara Neves – 26/11/2010
O 43º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, que mostra todo ano no palco do Cine Brasília, promete movimentar a noite da cidade. Os organizadores esperam receber no período de 23 a 30 de novembro, um público estimado em torno de 70 mil pessoas. Os Brasilienses ansiosos, já estão acostumados a nomes consagrados.
Desta vez, o evento vem com um cinema bem jovem. Os vizinhos da entrequadra agradecem pela oportunidade de conferir talentos novos e desconhecidos, comparando a nomes já consagrados mostrados nos Festivais anteriores.
O Cine Brasília tem tradição na cidade. Erguido na entrequadra 106/107 Sul, foi projetado por Oscar Niemeyer. Sendo inaugurado em 22 de abril de 1960, mesma data da inauguração de Brasília. Hoje, o Cine é considerado pelos Brasilienses como o templo do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro.
Para Dagoberto Alves, 56 anos, economista e morador da quadra 106 Sul a programação dos filmes mostrados é de ótima qualidade. “Quando não estou fora de Brasília, sempre venho prestigiar essa cultura riquíssima que é o cinema brasileiro”, afirma.
Segundo ele, o público que freqüenta o Festival é diversificado e nas lanchonetes se pode sentar e saborear uma cervejinha. Ele acrescenta que “é importante que a comunidade prestigie os filmes, porque o Cine Brasília é cultura e precisamos incentivar e preservar. É uma riqueza que temos na esquina do nosso bloco”.
Já para Raquel Santana, 25 anos, moradora da mesma quadra, o barulho causado pelo vaivém de pessoas nos barzinhos, montados nesta época de festivais, é ensurdecedor. “Fora os barraqueiros que montam suas barracas sem autorização e ajudam no barulho e que vão embora deixando para trás muita sujeira”, diz.
A estudante de medicina costuma estudar até de madrugada, principalmente em época de provas. Quanto o Festival no Cine Brasília, ela diz que só vai dormir depois das 2h. Mesmo assim, “às vezes, eu até desço e vejo algum filme interessante, como é o caso, de hoje”, diz Raquel.
De acordo com as criticas da futura médica, encontramos uma barraca de acarajé, bem freqüentada. A dona é Dinalva Paiva dos Santos, 51anos, moradora da Ceilândia. Ela monta sua barraquinha há 10 anos no mesmo local. Chega às 16h e só volta para sua casa quando terminam os filmes, por volta de 1h da madrugada.
“Aqui é bem calmo, não temos nenhum problema. Meus fregueses são bem diversificados. Até os artistas e produtores de filmes vêem saborear meu acarajé”, afirma Dinalva. Quando indagada com relação à reclamação dos moradores, ela diz sorrindo que uns reclamam, outros não, e finaliza: “Nem Deus agradou a todos”.
Para Dinalva, em todos esses anos ela nunca ouviu falar em roubos de qualquer espécie. A vendedora diz que quatro seguranças se revezam no estacionamento, bem como, duas viaturas da Política Militar. Para ela o problema constante são as pichações no Cine Brasília. Esse é um problema que o prédio convive há anos. “Mas, fora isso o festival é um sucesso. Todos os anos é gente demais”, finaliza a vendedora de acarajé.

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